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O Tonho D'Aldeia - Por Rui Reis

por Helder Robalo, em 26.05.10

 

Figura ímpar na nossa região, percorria quase todas as aldeias do concelho de Penamacor e de Idanha, sempre errante e sem poiso certo, vivendo e alimentando-se do que as pessoas de bom agrado lhe facultavam.
Li este artigo no jornal Raiano de 15 de Abril e lembrei-me de partilhar com todos aqueles que, como eu, passaram a infância a ouvir: "Come as batatas senão vem lá o Tonho D'Aldeia!". Já na altura (com os meus 6 ou 7 anos) me parecia que essa tentativa de comparar o homem ao "papão" advinha apenas da sua aparência e não da pessoa que realmente era.
Lembro-me também que um dia meti na cabeça que ainda havia de fazer um desenho do Tonho D'Aldeia.
Como nunca tive a corragem de lhe pedir para poder fazer um retrato, certo dia peguei no meu bloco de desenhos que levava para toda a parte (creio que tinha uns 10 anos) e fui para o café do Ti Zé Robalo, onde havia um quadro pintado a óleo do Tonho D'Aldeia, cujo autor nunca cheguei a saber. Ali fiquei um par de horas e lá fiz o que queria. Passados 20 anos, lembro-me muitas vezes do desenho mas não sei o seu paradeiro pois na última mudança de casa perdi-lhe o rasto.
Talvez um dia o encontre. Para já recomendo a leitura deste pequeno artigo que muitas memórias me trouxe.

Rui Reis

 

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publicado às 14:20

Fazer corridas com as ovelhas

por Helder Robalo, em 21.09.09

No blogue "Caixa do Tempo" encontrei este texto que fala de uma pessoa da nossa aldeia. Procurei pedir ao autor do texto, Rodrigo Gonzalez, autorização para o colocar aqui. Até hoje não recebi qualquer resposta, mas "arrisco" porque o texto é delicioso (além de público).

 

Maria de Jesus Fraqueiro Coelho Afonso nasceu a 8 de Abril de 1944, em Aldeia de Santa Margarida, concelho de Idanha-a-Nova.

Contou-me que a sua alimentação era à base do que cultivava: batatas, cebolas, feijões. Naquele tempo, cultiva-se pouco, porque toda a gente fazia horta, sobrando poucos terrenos.

Comiam "sopas de cavalo cansado", que era uma tigela com água, vinho e açúcar, a que juntavam pão centeio.

Na aldeia havia uma mercearia e uma sardinheira e, quando podiam, compravam uma sardinha, que geralmente tinha de dar para três pessoas.

Quanto à moda, disse-me que tinha duas mudas de roupa, a do trabalho e a dos domingos, a qual levava à missa e aos bailes.

Os primeiros sapatos que teve foram ao doze anos e eram feitos de farrapos.

Como não haviam luz nem água, tinham candeeiros a petróleo e água tiravam-na dos poços.

As pessoas acordavam por volta das seis horas da manhã e deitavam-se logo que se fazia noite.

A minha avó só ia à escola uma vez por semana, pois, nos outros dias, tinha de guardar as ovelhas, das quais tiravam leite para fazer queijos para venda.

Quanto à medicina, na aldeia não havia nenhum médico e, sempre que precisavam de qualquer coisa, montavam-se no burro e iam a Idanha-a-Nova.

Nos tempos livres, a minha avó ia a bailes e, enquanto guardava as ovelhas com os seus irmãos, montavam-se nelas e faziam corridas.

 

Rodrigo Gonzalez 

 

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publicado às 13:06

Deixo-vos um mail que muito me enche de satisfação, até por ser o primeiro contacto. E, também por isso, deixo um imenso bem haja ao Padre João Caria Leitão.

Bons amigos

Gostei muito que falassem da D.ª Isabel. Foi minha Professora durante dois anos: 3ª e 4ª classe.

Quanto a datas a minha memória vai esvanecendo-se no tempo. Depois de andar os dois primeiros anos em Proença-a-Velha com o Professor Filipe, fui a aprender juntamente com o meu Irmão António para a Aldeia, uma vez que tinha uma escola nova e também Professora residente: a Senhora Dª Isabel Marcelo Curto. Isto por volta de 1936. Ela já estaria a ensinar há um ano, pois, começava uma 2ª classe. O meu Irmão António foi para a 4ª com um pequeno grupo e eu para a 3ª, lembrando-me dos meus colegas: Celeste Curto. Manecas Morais, Joaquim Fernandes. Não sei se esqueci alguém. Talvez.

Admirei sempre muito a sua paciência e maneira de ensinar, pois, dar aulas a quatro classes ao mesmo tempo não será fácil. Bons tempos! Creio que na totalidade seríamos uns quarenta ou mais alunos. Uma vez que enveredei pelo ensino, confesso, que muito aprendi com o seu método.

Por duas vezes me deu algumas reguadas, mas não por motivos de aprendizagem.

Muitas vezes íamos para sua casa, principalmente na 4ª classe para nos fazer algumas revisões, apesar de já ter o seu filho Francisco que muitas vezes levava para a escola e com frequência andei com ele colo.

Também, algumas vezes fomos à sua residência para ouvir na telefonia, rara naqueles tempos, os teatros radiofónicas para crianças.

Muito interessada em todos os seus alunos, principalmente por aqueles que os Pais não enviavam à escola. Algumas vezes me enviou à procura dos faltosos, levando-lhes a multa que era de cinco escudos, hoje, dois cêntimos e meio. Muito dinheiro para aquela época, que era pouco mais ou menos o salário de um jornaleiro de sol a sol.

Não vou falar dos seus problemas, nem dos seus olhos rasos de lágrimas com que muitas vezes chegava às aulas. Sempre me pareceu a mulher forte, capaz de suportar todos os revezes.

Em Lisboa, já no após 25 de Abril de 1974, fui visitá-la a seu pedido e tivemos conversas longas… E num dia telefonou-me para lhe ir administrar a Santa Unção. Que serenidade! Faleceu poucos dias depois. Quando o seu corpo saiu de Lisboa lembro-me de ter encontrado o Joaquim Fernandes.

Creio que não era originária de Monsanto, mas talvez de Aldeia de João Pires. É questão de pesquisa.

Parece-me muito bem que se lhe faça uma homenagem ou talvez o nome de uma rua ou que a escola tenha o seu nome. Agora não tem alunos, mas talvez a sua memória seja um bom augúrio para o futuro, próximo ou longínquo.

Podem utilizar o que quiserem. Gosto muito do blogue.

Abraço amigo

Padre João Caria Leitão

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publicado às 14:43

D. Isabel Marcelo Curto

por Helder Robalo, em 08.01.09
Depois de fazer umas perguntas aos meus avós sobre esta senhora e sobre o seu filho, Dr. Francisco Manuel Marcelo Curto, consegui juntar alguma informação, mas continuamos abertos a contribuições.

Tal como o nosso conterrâneo António Camejo disse, esta senhora foi professora em Aldeia de Santa Margarida e por muitos anos. Só depois de reformada, esta foi para Lisboa.
Segundo os meus avós, já na década de 40 ela dava aulas na nossa terra, mas não sabem quando é que deixou de leccionar. Contam que houve pessoas que tiveram aulas coma ela, casaram e esta professora ainda dava aulas por aqui.
O método de ensino era o típico dessa altura, com algumas reguadas, castigos, etc..., mas também, quem é que teve aulas nesse tempo e até mesmo depois, que não levou nenhuma reguada? Ou um mesmo castigo?
A D. Isabel, casada com o Sr. Manuel Curto, deu à luz 3 filhos. O Manuel Marcelo Curto, o Orlando Curto e o Francisco Marcelo Curto. Este último, já destacado aqui e aqui, ficou conhecido por ter sido ministro do Trabalho no pós 25 de Abril de 1964. Quanto ao Manuel Marcelo Curto, ao que parece, é o actual embaixador de Portugal em Moscovo.

Este casal com 3 filhos, construiu um pequeno monopólio em Aldeia de Santa Margarida.
Onde é agora a casa do Ti' Zé Chasqueira, antes era a moagem (desse casal) que fornecia a farinha para a padaria (também pertencente ao casal) que estava situada na casa acima (em direcção à escola) da actual Casa do Povo.
Onde, até há uns tempos, era o café do Ti' Manuel (que agora fechou) estava a funcionar uma loja de mercearia e vestuário, gerida também pelo casal.
Segundo o que me disseram também, foram também proprietários da "Quinta", no Vale de Santa Catarina.

Estas foram apenas algumas informações que consegui recolher. Se mais alguém estiver interessado em dar o seu contributo, é só enviar um e-mail para: aldeiadesantamargarida@gmail.com .

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publicado às 18:55

"O primo Manel está preso"

por Helder Robalo, em 24.11.08
O nosso conterrâneo António Camejo, através da nossa página no Google Groups, fez-nos chegar esta história engraçada:

Estávamos no ano de 1958, e, como sempre no Sábado de Ressurreição, os sinos começavam a tocar no campanário da nossa aldeia. Soavam todo o dia e toda a noite, incomodando algumas pessoas que não gostavam dessa tradição.
E, vai de lá, um dos vizinhos (rico), chamou a GNR (creio que do Pedrogão), e prenderam o PRIMO MANEL E O TIO ZÉ PRETO, que eram os que permaneceram, junto Campanário. E, lá tive que ir a correr para as Sesmarias avisar a tia, que o Primo Manel estava preso.
Não passou tudo de um susto, pois a filosofia e a graça, desse homem muito bom que era o TI ZÉ PRETO, levou que a GNR a "arquivar" a queixa e beber uns copos com os réus.

Histórias como esta são sempre engraçadas e trazem, a muitos, recordações saborosas. Ficamos à espera de mais pessoas que se lembrem de factos assim e nos enviem. Quer para o e-mail, quer colocando o texto na página do Google Groups

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publicado às 18:12

Um susto que veio do além - Por Luís Curto Dias

por Helder Robalo, em 09.06.08

1955. Início de ano lectivo, escola nova recém inaugurada, cheirando a novinha (sim, em Aldeia de Santa Margarida já tivemos duas (2) escolas funcionando simultaneamente. Estamos na contra-mão da História). Bem voltemos ao assunto: certa manhã ao entrar na sala de aula, a maior desordem. O taco todo levantado, levantou também as carteiras, provocando todo este reboliço tão assustador. Fosse hoje acharíamos que os "skinheads" teriam passado por ali, mas não. Que aconteceu? Segundo as explicações da física, dois materiais sobrepostos com coeficientes de dilatação diferentes, assim como do meu pai, que tinha trabalhado como pedreiro na construção, daí o apelido de "Chico Pedreiro". Mas na nossa cabecinha, sabíamos que não: afinal ali tinha sido um antigo cemitério. E agora é a casa da Junta da Freguesia.

Quem se lembra? Isto foi na primeira classe de 1955.


Texto enviado pelo nosso conterrâneo Luís Curto Dias.

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publicado às 00:09

A gasosa - Por Luís Curto Dias

por Helder Robalo, em 25.05.08

Saíamos os alunos da escola quando perto da igreja um caminhão tombou com carga de bebidas. Lembro-me precisamente das garrafas de gasosa espalhadas pelo chão. Uma curiosidade e antiga pratica de fechar as garrafas era do seguinte modo: Quando do fabrico da garrafa ficava dentro uma bola de vidro,que não saía pela boca da mesma. Quando engarrafada a bebida com gás, este era em quantidade tal que fazia a bolinha subir com se fosse sair,mas não cabia. Então a pressão do gás mantinha a mesma em cima fazendo com que esta ficasse perfeitamente fechada. Quando do consumo da “gasosa” que não era mais que um xarope doce gaseificado, bastava empurrar com o dedo a bola para baixo. O gás em excesso saía, a bola caía para o fundo da garrafa liberando assim a bebida para ser consumida pelos “miúdos” em geral. Lembram-se Gracinda de Jesus Afonso Robalo, Francisco Luís Fernandes (Chico Luís), Horácio Pereira, Adelaide Camejo e todos os outros citados na mensagem do Chico Luís? É isso mesmo lá pelo ano de l956/57.


Texto enviado pelo nosso conterrâneo, em terras brasileiras, Luís Curto Dias, nascido a 24 de Maio de 1948 e saído da nossa aldeia em 1957. Mas que brevemente promete visitar-nos.


Envie também os seus textos para o blogue de Aldeia de Santa Margarida. Teremos todo o gosto em publicá-lo neste espaço.
O e-mail é o aldeiadesantamargarida@gmail.com.

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publicado às 13:35


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