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Crónica breve (II) - Por Francisco Caetano

por Helder Robalo, em 03.02.09
CRÓNICA BREVE (II)

A paga do vinho

Contrariamente ao que possa pensar-se, namorar com forasteiro, antigamente, não dependia apenas da vontade da noiva, do pai ou da mãe. Dependia também do pagamento de uma espécie de tributo.

De quem?

- Do candidato a noivo, aos rapazes da terra.

Tributo esse não em dinheiro, mas em vinho, tinto.

Um garrafão, ou mais, dependia do perfil do intruso. Se pouco ou muito abonado, assim era provar ou fartar.

E a lógica era esta. As raparigas estavam destinadas aos rapazes da terra. Se algum de fora fosse roubar qualquer uma, teria de pagar pela ousadia.

Mal corresse suspeita, no balcão do Ti Zé Morais, de rabisco novo de rapaz de fora e se não tomasse ele próprio a iniciativa de se apresentar, devidamente sortido, prazo curto tinha ele para a intimação. Que não passasse do próximo sábado ou domingo! Não fosse deixar, entretanto, a rapariga e a rapaziada a penar de algum aguamento, mas do vinho.

E a recusa era legitimamente entendida (assim o dizia a prática) como sinal de que apenas queria era gozar a rapariga e isso era crime grave punível com saraivada de pedra vinda não se sabendo de onde.

Era assim na nossa Terra, como nas próximas. Mata, Martianas, Pedrógão, Bemposta, Proença, S. Miguel…

Lembram-se os mais velhos (que não lêem isto e por isso podemos falar à vontade) que um período houve em que não havia mãos a medir. Aquando do alcatroamento da estrada (a mesma que passava no, como se dizia, "arramal") veio uma chusma de rapaziada de fora, sobretudo do Alentejo trabalhar para as obras, que não deixou nova e velha, feia e bonita, por casar. Então o vinho era à farta!

Porque o néctar escorregava mal sem companhia, lá vinha também o conduto. Um queijo (quase sempre corno, assim se chamava, duro que era), uma morcela a dar já para o azeite da lamparina da Igreja e pão, muito pão.

Falava-se até que em certas terras, a par do vinho, até negar, o pão, empinado, deveria ter a altura do intruso noivo.

Safava-os que a rapaziada, antigamente, não tinha a altura de hoje.

Era comer e beber até chegar com o dedo. Cantavam uns, chamavam o gregório outros…Com rapariga a menos, mas todos se divertiam, menos a noiva, claro está, que via a vida a andar para trás.

E, cumprida a obrigação, e já munido com a carta de alforria, já o bom forasteiro podia namorar à vontade.

À vontade, como quem diz. Nem todos os dias (e horas) eram dias de namoro e só já em fase avançada podia o rapaz entrar em casa dos pais da noiva.

Habilidade deveria ter, também, para dar um pontapé no candeeiro sem que ninguém desse por ela…

Abraço

Fev. 09

F C

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publicado às 20:39

Crónica Breve (I) - Por Francisco Caetano

por Helder Robalo, em 03.02.09
CRÓNICA BREVE (I)

Os nomes pouco contam

1. Antes de mais, mea culpa pelos erros da crónica anterior. Ortográficos e de escrita, como é, aliás, perceptível.

O que já não é tão perceptível é ter-se misturado um equídeo com pessoas, ainda por cima quando com todas elas mantivemos, em vida, relação de grande afecto e grande é o respeito com que as recordamos.

A principal razão é que a habilidade para o computador não abunda. O que, sem mais, não desculpa. Antes do envio do texto (que por castigo numeramos de crónica zero) impunha-se que o tivéssemos lido e, depois, não dar passeio à mão pelo delete que, antes do equídeo, comeu um parágrafo e ficou, parte dele, sem sentido.

Grande coice merecia. O delete.

Queríamos nós propor, na parte apagada, falar de um ou outro episódio pitoresco, como o relatado e, já agora, de cuja linguagem menos vernácula, quanto a um dos termos, nos penitenciamos.

Com respeito por todos quanto apreciam um bom cozido e com a devida vénia, ainda do citado equídeo ou da limusine obamiana, somos um nabo informático, uma besta…

*

2. A propósito do Ti Chico Aguardente cremos ter sido o nosso amigo Ti Virgílio (sem o ti soa a oco) que assim o baptizou, tanta a aguardente que suportava tal homem. O arcaboiço, é verdade, também dava para isso!

Mais que ele, amante da dita, só o nosso também amigo José Robalo, o do café, o que na sua mestria pirotécnica nos põe a todos de nariz no ar, quando não “a dar às de vila diogo”…

E, se assim o recordámos, foi com carinho, que, aliás, a sua memória merece.

Tratá-lo por Francisco Robalo pouco diria. Nomes desses há muitos. São como os chapéus, como diria o outro. É ver a lista telefónica. Igual a ele, poucos.

Os nomes têm o conteúdo que socialmente lhes atribuímos. Colam-se-nos à pele e não há nada a fazer. Os do registo são para a burocracia comer.

Todos sabem, por exemplo, quem é o Zé da Cabra ou o Tó Chiba (não, não é a marca do computador). Agora dizer que é o José Simão ou o António Nunes, só os próprios.

E apelidos, assim se dizia, todos, mais ou menos, fomos tendo.

Claro que os tempos de hoje trouxeram outros “apelidos”, menos campesinos, ou já nem isso. Mais números. Do NIF ao BI, que não há tempo a perder.

Voltando ao nosso amigo, homem de cultura superior à média da sua geração, um nadinha vaidoso, a gostar de dar para o lisboeta, impunha a sua ideia com decibéis nem sempre aceites, mas nada que mais um copo não desculpasse.

Felizmente para ele, e para nós, já não o conhecemos novo. Será o garboso jovem cuja foto o seu neto aqui trouxe. Neto que pode orgulhar-se sobremaneira do ascendente que teve!

*

3. Ainda não foi hoje que saiu a 1.ª crónica. “Na verdade, porém”, sem querer, ou a querer, acabámos por homenagear uma pessoa da nossa Aldeia.

Ficamos por aqui que…quanto menos se escreve menos asneiras se dizem.


Abraço a todos e obrigado à Soly.

Janeiro de 2009

F C

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publicado às 19:19

Longe vai o tempo em que quando queríamos dar uns pontapés na bola, só nos restava as traseiras da escola, mas, queria lembrar de que no fim da década dos anos 50, o DR. ROLÃO PRETO, ofereceu o actual campo de futebol, que tinha um pequeno inconveniente: HAVIA UMA SOBREIRA NO MEIO DO CAMPO, mas vai daí... toda a juventude meteu mãos à obra, meteram duas BALIZAS, marcaram o campo com riscos de CAL quase aos zig-zags, e começaram a organizar jogos de futebol com as Aldeias vizinhas. Vieram os de S. MIGUEL D'ACHA, do PEDROGÃO e da ORCA, e, era frequente as bolas ficarem penduradas na SOBREIRA que era muito farta na sua rama, e, com todos os espectadores a RIR, lá tinha que subir um craque à árvore para apanhar a REDONDA e continuar O JOGO.

Um abraço do

António Camejo

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publicado às 19:16


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